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Cirurgia de próstata causa impotência?

Dr. Gustavo Guerrero, urologista formado pela USP, em São Paulo - CRM 199490, realizando cirurgia robótica
Dr. Gustavo Guerrero CRM - SP 199.490 | RQE 136.277

Cirurgia de próstata causa impotência?

Este é, sem dúvida, o maior receio de quase todo homem que precisa operar a próstata – e merece uma resposta franca, sem promessas fáceis nem dramatização. A verdade honesta é: a cirurgia de próstata para câncer de próstata pode, sim, afetar a ereção, especialmente nos primeiros meses. Mas, na maioria dos casos, a função sexual se recupera progressivamente – e há muito o que fazer para favorecer isso.

A cirurgia para próstata aumentada é diferente e não estamos falando sobre ela aqui.

Prefiro explicar isso com clareza, porque o medo mal informado é que costuma pesar mais do que o problema em si.

Por que a cirurgia pode afetar a ereção

A explicação está na anatomia. Os nervos responsáveis pela ereção correm colados às laterais da próstata, numa região muito delicada. Ao remover a próstata, mesmo com a técnica mais cuidadosa, esses nervos sofrem um estresse – e é isso que, temporariamente, prejudica a ereção no período logo após a cirurgia.

A palavra-chave aqui é temporariamente, na maior parte dos casos. Esses nervos tendem a se recuperar ao longo do tempo, e é por isso que a função sexual costuma voltar de forma gradual ao longo dos meses seguintes.

O que mais influencia a recuperação

Alguns fatores fazem real diferença no resultado – e entender isso ajuda você a ter expectativas corretas:

  • A preservação dos nervos: sempre que o seu caso permite, o objetivo é operar preservando ao máximo os nervos da ereção. Esse é o fator que mais influencia a recuperação sexual;
  • A sua função antes da cirurgia: quem chega à cirurgia com boa função erétil tende a se recuperar melhor;
  • A sua idade: homens mais jovens costumam ter recuperação mais favorável;
  • As características do tumor: tumores mais avançados podem limitar o quanto é possível preservar, porque a prioridade, sempre, é remover o câncer com segurança;
  • O acompanhamento após a cirurgia, com a reabilitação adequada.

O papel da técnica robótica

A cirurgia de próstata é um trabalho de precisão milimétrica, e é justamente na tarefa de identificar e poupar esses nervos delicados que a abordagem robótica se destaca. A visão ampliada em muitas vezes e os instrumentos que articulam com grande precisão favorecem essa dissecção cuidadosa (1-2).

Isso se reflete na prática: os estudos mostram uma recuperação sexual mais rápida nos primeiros meses após a cirurgia robótica em comparação com a via aberta (1). Existem, ainda, técnicas modernas que ajudam a definir, durante a própria cirurgia, o quanto é possível preservar com segurança oncológica (3).

A recuperação é um processo, não um interruptor

Faço questão de deixar isso muito claro, porque administra a ansiedade: a volta da função sexual não acontece de um dia para o outro. É um processo que se desenrola ao longo de meses, e que pode ser apoiado por um programa de reabilitação – com medicamentos e outros recursos que ajudam a preservar o tecido erétil durante o período de recuperação dos nervos (4).

Ou seja: mesmo quando a ereção não volta imediatamente, isso não significa que a situação seja definitiva. E, se em algum momento a recuperação não for completa, existem tratamentos eficazes para a disfunção erétil que devolvem a vida sexual.

Minha visão sobre o assunto

Na minha experiência, o medo da impotência faz alguns homens adiarem uma cirurgia necessária para tratar um câncer – e essa é a troca mais perigosa que existe. A prioridade é sempre tratar a doença; a boa notícia é que, hoje, isso é feito com o máximo de cuidado para preservar a sua qualidade de vida, inclusive a sexual. Converso abertamente sobre isso com cada paciente antes da cirurgia, porque decisões desse peso devem ser tomadas com informação, não com medo.

Se você vai operar a próstata e tem receios sobre a sua vida sexual, esse é exatamente o tipo de conversa que devemos ter. Posso avaliar o seu caso – presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.

Para entender o quadro completo do tratamento, veja também minha página sobre Câncer de Próstata.

Referências

  1. Nahas WC, Rodrigues GJ, Rodrigues Gonçalves FA, et al. Perioperative, Oncological, and Functional Outcomes Between Robot-Assisted Laparoscopic Prostatectomy and Open Radical Retropubic Prostatectomy: A Randomized Clinical Trial. J Urol. 2024.
  2. Sooriakumaran P, Pini G, Nyberg T, et al. Erectile Function and Oncologic Outcomes Following Open Retropubic and Robot-Assisted Radical Prostatectomy (LAPPRO). Eur Urol. 2018.
  3. Dinneen E, Almeida-Magana R, Al-Hammouri T, et al. Effect of NeuroSAFE-Guided RARP Versus Standard RARP on Erectile Function and Urinary Continence (NeuroSAFE PROOF): A Multicentre, Randomised, Controlled Phase 3 Trial. Lancet Oncol. 2025.
  4. Philippou YA, Jung JH, Steggall MJ, et al. Penile Rehabilitation for Postprostatectomy Erectile Dysfunction. Cochrane Database Syst Rev. 2018.

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