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Quem tem mais risco de câncer de próstata?

Dr. Gustavo Guerrero, urologista formado pela USP, em São Paulo - CRM 199490, na FMUSP
Dr. Gustavo Guerrero CRM - SP 199.490 | RQE 136.277

Quem tem mais risco de câncer de próstata?

Entender o próprio risco é o primeiro passo para se cuidar com inteligência – nem com pânico, nem com descuido. O câncer de próstata é um dos mais comuns entre os homens, mas não atinge todos da mesma forma: alguns fatores aumentam o risco e ajudam a definir quando e com que atenção você deve acompanhar a sua saúde (1-3). Vou apresentar os principais, de forma direta.

Os três fatores mais bem estabelecidos

Estes são os fatores de maior peso, com evidência sólida – e, embora não se possa mudá-los, são justamente eles que orientam o cuidado (1-3):

  • Idade: o risco aumenta progressivamente com os anos, e a maior parte dos diagnósticos ocorre após os 50 anos. É o fator mais forte de todos;
  • Histórico familiar: ter um parente de primeiro grau (pai ou irmão) com câncer de próstata aumenta o risco em cerca de duas a três vezes. E há um detalhe importante: quando o parente foi diagnosticado cedo, antes dos 60 anos, o risco é ainda maior (3-5);
  • Ascendência africana: homens negros têm incidência significativamente mais alta, tendem a desenvolver a doença mais cedo e de forma mais agressiva, e têm mortalidade mais elevada. Em contraste, homens de ascendência asiática têm risco menor (2, 3, 6).

Quando um desses fatores está presente, sobretudo histórico familiar forte ou ascendência negra, a recomendação costuma ser começar a conversa sobre o acompanhamento mais cedo, por volta dos 40 a 45 anos (2).

Quando a genética entra na conversa

Além do histórico familiar comum, alguns homens carregam alterações genéticas hereditárias que elevam o risco de forma mais expressiva – as mais conhecidas são as mutações nos genes BRCA (os mesmos associados a casos de câncer de mama e ovário na família), além de outras como a HOXB13 e as ligadas à síndrome de Lynch (1-3).

Por isso, um histórico de vários tipos de câncer na família – não apenas de próstata – é uma informação valiosa para trazer à consulta. Nesses casos, o aconselhamento genético e, às vezes, a testagem podem fazer parte de um acompanhamento mais personalizado.

E os hábitos de vida? Aqui a ciência é menos clara

Este é um ponto em que prefiro ser honesto a dar respostas fáceis. Ao contrário do que se imagina, a relação entre hábitos de vida e câncer de próstata é inconsistente na ciência (5). Diferente de outros tumores, aqui os estudos não mostram um único vilão claro no estilo de vida. Alguns fatores, como atividade física, aparecem com um possível efeito protetor (5).

A mensagem prática é equilibrada: manter peso saudável, alimentação adequada e atividade física é bom para a sua saúde como um todo, e para a saúde da próstata em outros aspectos, ainda que não seja uma garantia isolada contra este câncer.

O que fazer com essa informação

Conhecer o seu risco não serve para gerar medo – serve para personalizar o seu cuidado. Um homem sem fatores de risco segue uma recomendação; um homem com histórico familiar forte, ascendência negra ou alteração genética conhecida segue outra, começando mais cedo. Essa individualização é o que faz diferença, e é exatamente o tipo de conversa que se tem numa consulta.

Minha visão sobre o assunto

Na minha experiência, o homem que entende o próprio risco se cuida melhor – sem exageros e sem negligência. Saber que você tem um fator de risco não é uma má notícia; é uma vantagem, porque permite agir no tempo certo, quando quase tudo é mais simples de resolver. O câncer de próstata, quando acompanhado e detectado cedo, está entre os de melhor prognóstico. A informação é a sua melhor aliada.

Se você quer entender o seu risco individual e definir o acompanhamento mais adequado, posso avaliar o seu caso – presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.

Para entender o diagnóstico e o tratamento, veja também minha página sobre Câncer de Próstata.

Referências

  1. Attard G, Parker C, Eeles RA, et al. Prostate Cancer. Lancet. 2016. PMID: 26074382.
  2. Xu J, McPharlin S, Mulhem E. Prostate Cancer Screening: Common Questions and Answers. Am Fam Physician. 2024. PMID: 39556631.
  3. Dite GS, Spaeth E, Murphy NM, Allman R. Development and Validation of a Simple Prostate Cancer Risk Prediction Model Based on Age, Family History, and Polygenic Risk. Prostate. 2023.
  4. Nair-Shalliker V, Bang A, Egger S, et al. Family History, Obesity, Urological Factors and Diabetic Medications and Their Associations With Risk of Prostate Cancer Diagnosis in a Large Prospective Study. Br J Cancer. 2022. PMID: 35610365.
  5. Cui H, Zhang W, Zhang L, et al. Risk Factors for Prostate Cancer: An Umbrella Review of Prospective Observational Studies and Mendelian Randomization Analyses. PLoS Med. 2024. PMID: 38489391.
  6. Giaquinto AN, Miller KD, Tossas KY, et al. Cancer Statistics for African American/Black People 2022. CA Cancer J Clin. 2022. PMID: 35143040.
  7. Christakoudi S, Tsilidis KK, Evangelou E, Riboli E. Interactions of Obesity, Body Shape, Diabetes and Sex Steroids With Respect to Prostate Cancer Risk in the UK Biobank Cohort. Cancer Med. 2024.

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