CÂNCER DE TRATO URINÁRIO
Câncer de Bexiga ou Urotelial

Sangue na urina pode ser o primeiro sinal: investigue alterações urinárias com segurança.

Câncer de bexiga ou de trato urinário ou urotelial

O câncer de trato urinário ou carcinoma urotelial é um tipo frequente de câncer urológico. Esse tipo de câncer se desenvolve na região mais superficial que fica em contato com a urina, a mucosa. Fazendo uma analogia mais simples, se fosse na boca, seria como se ele se desenvolvesse no lábio interno como uma espécie de afta. Ele ocorre 4x mais em homens do que em mulheres. Na população geral, durante a vida, 1 em cada 91 homens terão a doença e nas mulheres, 1 em cada 370 (1). Por mais que seja mais raro nas mulheres, como o principal sintoma é o sangramento urinário e as mulheres sofrem com frequência de infecções urinárias de repetição que também gera sintomas como esse, o atraso diagnóstico por atribuir esse sintoma à uma origem equivocada acaba piorando o desfecho desses casos em geral (1). Cerca de 90% dos diagnósticos são em pessoas acima de 55 anos (1, 2).

Fatores de risco

Esse tipo de câncer têm um risco mais elevado em pacientes (1, 2, 3):

  • Fumantes ou ex-fumantes – até 50% dos casos
  • Expostos à indústrias de fertilizantes ou tinta – até 20% dos casos
  • Idosos
  • Submetidos à radioterapia em pelve para tratamento de outros tumores

Para esse tipo de tumor o papel dessa exposição pode ser tão alto que só de ter fumado na vida, ele é 2x o da população geral. Se ainda fuma, pode chegar à 4x (4). Embora a literatura oriente que 50% dos casos estão relacionados ao tabagismo, na prática no meu consultório vejo uma proporção maior.

Sinais e sintomas

Diferente de outros tipos de cânceres, esse diagnóstico tem sintomas e sinais relacionados com grande frequência. Os principais sintomas e sinais são (5, 6, 7, 8):

Principais achados

  • Sangramento urinário observado no exame de urina – 15 a 20% dos pacientes possuem
  • Sangramento urinário observado a olho nu – 60 a 85% dos pacientes possuem
  • Sintomas irritativos de bexiga (urgência urinária, aumento de frequência e ardor ao urinar) – 20 a 30% dos pacientes possuem
  • Dor lombar ou dilatação do rim visto em exames de imagem – 5 a 10% dos pacientes possuem

Como se trata de um tipo de câncer que se desenvolve na região que está em contato com a urina, ele pode se desenvolver em qualquer local do trato urinário: bexiga, rim, uretra e ureter – que é o canal urinário que liga o rim à bexiga. Por mais que seja possível desenvolvê-lo em qualquer um desses locais, ele é mais comum na bexiga, que corresponde a 90% dos casos, por isso esse tipo de câncer no jargão popular tornou-se sinônimo de câncer de bexiga.

Investigação e diagnóstico

Uma vez que houve suspeita, que significa principalmente qualquer evidência de sangramento urinário, utilizo diversos exames para investigação. A escolha desses métodos é individual e envolve diversos fatores que vão desde outros sintomas relatados, risco do paciente em específico e achados de exames de imagens. Esses exames são:

  • Urotomografia ou tomografia computadorizada com contraste em via excretora
  • Uroressonância ou Ressonância magnética de via excretora com contraste
  • Ureteroscopia flexível à laser com biópsia se necessário
  • Cistoscopia com biópsia se necessário
  • Citologia oncótica na urina

O diagnóstico definitivo desse tipo de câncer é dado pela biópsia, por isso parte da investigação envolve o uso de exames minimamente invasivos como a endoscopia de via urinária, que eu mesmo performo.

Existem outros exames que me auxiliam a entender a doença, uma vez confirmada:

  • Tomografia computadorizada com contraste de abdome e tórax
  • Ressonância magnética de abdome
  • Exames de urina e sangue

É senso comum que é muito melhor diagnosticar e tratar precocemente um câncer do que esperar sua história de progressão natural. Para esse tipo de câncer essa realidade é mais gritante ainda: para bexiga em tumores mais simples e iniciais, alcançamos sobrevida em 5 anos flertando com 100%; para doença disseminada em 5 anos esse número é 5% (9, 10). Recebo com alguma frequência pacientes encaminhados por outros médicos em profundo desespero e medo do diagnóstico mas é importante não colocar a carroça na frente dos bois: por mais que o sangramento seja o sintoma mais frequente, a minoria das pessoas que têm sangramento urinário possuem câncer de bexiga e quando possuem, no geral, é passível de tratamento minimamente invasivo com alta taxa de cura. O problema de casos mais graves está muito relacionado à demora na procura por ajuda, por isso é importante ter um urologista de confiança para manejar com agilidade e precisão o que precisa ser feito.

Uma vez diagnosticado com a biópsia e realizado diversos outros exames, utilizo uma constelação de dados para propor um tratamento que seja individualizado e baseado em ciência feita em grandes centros do mundo, e não protocolos marqueteáveis. Vale ressaltar que embora estejamos falando coletivamente do tema “câncer urotelial”, vou afunilar minha discussão para que você encontre o que faz mais sentido ao seu contexto. Para facilitar o entendimento, irei dividir esses tumores no intuito de que esse texto seja auto explicativo até para quem naturalmente entende pouco do assunto.

Tratamento minimamente invasivo

Câncer urotelial de bexiga

Diante do resultado da biópsia, é muito importante um aspecto que é divisor de águas no tratamento nesse cenário: se há ou não invasão da camada do músculo da bexiga. Essa informação é obtida definitivamente só com uma biópsia realizada através de um procedimento endoscópico e por isso a endoscopia é o primeiro passo em qualquer suspeita desse tipo de câncer. Como o tumor urotelial de bexiga se origina como uma espécie de afta na camada interna que está em contato com a urina, de acordo com seu grau de agressividade e progressão, ele vai invadindo subsequentemente camadas de dentro para fora na bexiga e isso muda o tipo de tratamento que é proposto. Vale comentar como é importante o papel de um médico patologista de confiança que seja super-especialista na área: um resultado impreciso da biópsia norteia uma série de tratamentos não individualizados e isso sem dúvida compromete o resultado final. Não à toa eu encaminho meus casos à uma uro-patologista que é reconhecida internacionalmente no tema, afinal não há margem para deslizes quando o assunto é câncer. Até quando recebo casos encaminhados de pessoas que fizeram outros tratamentos em lugares distantes, solicito a depender do contexto uma revisão dos laudos anteriores para me balizar com mais precisão. Tenho uma pulga atrás da orelha com cada detalhe e como entendo dos processos sei onde o problema pode morar.

Lesões iniciais ou que não invadem o músculo

As lesões que não invadem o músculo são definitivamente o melhor cenário possível para quem tem o diagnóstico de câncer de bexiga. Para esses pacientes performo um procedimento chamado Ressecção endoscópica de bexiga que utiliza dos caminhos naturais do corpo, sem cortes, para retirar a região de suspeita da lesão. É importante comentar que, em diversas ocasiões, quando encontro exames de imagem antes da cirurgia que já me tangenciam acerca do que esperar dentro da cirurgia, na própria cistoscopia — que é o exame diagnóstico que visualiza, através da endoscopia, as camadas internas da bexiga — posso também realizar a ressecção endoscópica completa da lesão. Aplico isso principalmente quando os exames pré-operatórios de imagem e o interior visualizado da bexiga tem características suspeitas para câncer assim evito duas ocasiões de anestesia para um tratamento e possibilitou resolução em tempo único.

Ressecção endoscópica do câncer de bexiga

  • O que significa: Retirada especificamente da região da lesão suspeita, popularmente chama-se de “raspagem”.
  • Como é feito: Anestesia geral ou raquianestesia, cirurgia sem cortes.
  • Tempo de internação: Em geral 24h após a cirurgia

A Ressecção endoscópica do câncer de bexiga pode ser realizada utilizando duas fontes de energia para retirar o câncer: elétrica ou laser. Em termos de resultado de cura, ambos procedimentos são seguros e possuem alta qualidade de tratamento oncológico, sendo equiparáveis (11). A depender do caso, no entanto, considero o laser uma alternativa mais razoável porque reduz a chance de termos alguns inconvenientes (12, 13, 14).

É preciso comentar que, pensando a nível de consequências na vida cotidiana, esse tipo de tratamento endoscópico é revolucionário. Para diversos tipos de cânceres vemos tratamentos que envolvem a retirada do órgão e aqui é possível manter, com qualidade e efetividade de tratamento, a bexiga no seu funcionamento normal e retirar somente a lesão. A endoscopia tem capacidade de detecção superior inclusive à exames de imagem avançados (1, 6) já que observa diretamente o local onde esse tipo de câncer se origina. Em casos que verifico resultado de biópsia com características que conferem risco maior a recorrer, faço conforme orientações internacionais uma nova avaliação endoscópica em cerca de 1 mês para se certificar que ficou tratado perfeitamente (14).

Esse tipo de tumor pode, por ficar em uma cavidade cheia de líquido, ter células tumorais que se desprenderam da lesão originária no seu crescimento e ficam suspensas na urina, e essa característica confere risco de recorrência em outros locais dentro da bexiga, mesmo após tratamento adequado. Esse perfil justifica inclusive que, em casos mais graves ao diagnóstico, alguns pacientes manifestam múltiplas lesões na bexiga, decorrente desse tipo de disseminação que existe. Por isso, existem dois cuidados que precisam ser realizados: o primeiro cuidado é ter após o tratamento endoscópico um planejamento de repetir endoscopias e exames de imagem e o segundo cuidado, para quem recebo de resultado da análise da peça retirada na cirurgia um tipo de câncer de características de risco maior de recorrer, realizar a imunoterapia na bexiga com BCG.

A imunoterapia com BCG é importante para casos de risco mais elevado porque direciona um ator coadjuvante na luta contra o câncer: o sistema imunológico. Existem diversos estudos que provam sua eficácia para alguns subtipos específicos de tumores de bexiga em reduzir o risco de recorrência (14, 15). Essa imunoterapia é feita se instilando, através de uma sonda, a vacina do BCG periodicamente na bexiga. Como ativa o sistema imunológico, existem sintomas irritativos da bexiga associados, mas de maneira geral a terapia é tolerada pela maioria dos pacientes já que o índice de intolerância é da ordem de 1 para 9 pessoas (16).

Lesões que invadem o músculo da bexiga

Para lesões que tem invasão de músculo da bexiga, existem três tratamentos possíveis, de maneira geral:

Cirurgia robótica: Retirada do fragmento específico que invade o músculo da bexiga

  • O que significa: Retirada especificamente da região detectada que infiltra a camada muscular da bexiga, através de cirurgia robótica.
  • Como é feito: Anestesia geral com ou sem raquianestesia, 5 cortes pequenos ao redor de 1 cm no abdome, uso de sonda para garantir cicatrização adequada da bexiga após retirada do fragmento por 7 a 14 dias a depender do contexto.
  • Tempo de internação: 24h a 48h após a cirurgia na maioria dos casos.
  • Quem é candidato: Casos selecionados de pacientes com invasão do músculo da bexiga.
  • Pontos positivos: Preserva a bexiga, baixa morbidade de tratamento.
  • Ponto negativo: Não são todos pacientes que podem realizar esse tipo de tratamento obtendo um resultado equivalente ao tratamento clássico de retirada da bexiga.

Embora extremamente atual e moderna, essa é uma maneira sólida com taxas de cura comparáveis à retirada completa da bexiga quando selecionado adequadamente o perfil certo de pacientes (1, 16). Esse tipo de técnica surgiu no intuito de diminuir os inconvenientes do tratamento clássico para lesões que invadem o músculo — a retirada completa da bexiga. Como a bexiga tem função de armazenamento de urina, retirá-la impacta substancialmente na qualidade de vida dos pacientes que têm esse tipo de doença. Por mais que esse tipo de técnica não seja factível na maioria dos pacientes, quando possível, é um tratamento eficaz, seguro e que traz bons resultados. Esse tipo de técnica deve ser performada após uma quimioterapia direcionada e incluir durante a cirurgia também a retirada de linfonodos pélvicos (ínguas que drenam líquidos da bexiga) (17).

A terapia combinada: Cirurgia endoscópica periódica + Quimioterapia + Radioterapia

  • O que significa: “Raspagem” periódica da região que o tumor invade o músculo em associação com quimioterapia e radioterapia.
  • Como é feito: Anestesia geral ou raquianestesia, sem cortes, necessidade de sonda por breve período, em geral somente na internação mas existem exceções.
  • Tempo de internação: 24h a 48h após a cirurgia.
  • Quem é candidato: Pacientes que desejam permanecer com a bexiga e têm câncer músculo-invasivo ou pacientes que não tem pré-requisitos para realizar uma cirurgia de maior porte de retirada de toda a bexiga.
  • Ponto positivo: Tratamento que preserva a bexiga, taxa de cura semelhante ao tratamento clássico em alguns casos.
  • Ponto negativo: Radioterapia inclui alguns sintomas, necessita de revisões endoscópicas periódicas.

Esse tipo de estratégia produz taxas de cura que podem ser equivalentes ao tratamento clássico de retirada completa da bexiga mas dependem de alguns fatores individuais (18). Alguns pacientes, em casos mais graves e que a princípio não se enquadram no melhor contexto para essa técnica, também manifestam interesse em realizar esse tipo de estratégia porém é preciso ressaltar que nem sempre essa é a melhor escolha sob ponto de vista de taxa de cura porque depende de características que envolvem número de lesões observadas na bexiga, dados de exames de imagem e resultado da biópsia na ressecção endoscópica que levou ao diagnóstico. Ponderado esse fator, pode ser utilizado também para casos de perfil mais agressivo, desde que se tenha ciência dos pontos positivos e negativos da estratégia aplicadas ao contexto individual.

Como é uma estratégia que inclui três tratamentos concomitantes, é preciso uma orquestra afinada entre diversos especialistas como radioterapeuta, oncologista e também patologista.

Uma vez que significa diversas vias de agressão ao tumor (radiação, ressecção cirúrgica, quimioterapia), por mais que preserve a bexiga, existem sintomas associados mas eles são bem tolerados de maneira geral (19).

Em alguns contextos, portadores de câncer de bexiga com invasão de bexiga apresentam, por diversas razões, motivos que tornam a cirurgia de retirada completa da bexiga de maior risco associado, o que pode torná-la inviável por se tratar de um procedimento de maior porte. Nesses cenários a terapia combinada pode ser o tratamento ideal, mesmo em casos mais graves que a princípio não seria a técnica de escolha. Por isso é fundamental individualizar e, antes de olhar para o câncer de bexiga em si, entender a saúde geral de quem o porta. No meu consultório tenho exemplos de pacientes que optamos por essa estratégia pelas mais variadas razões e vejo que, uma vez entendido os cuidados necessários e detalhes aplicados a cada um, o resultado e a satisfação são adequados.

Cirurgia robótica: Retirada de toda a bexiga e construção de novo reservatório de urina

  • O que significa: Retirada de toda a bexiga + próstata, através de cirurgia robótica associada à construção de nova forma de drenar urina dos rins (variável de acordo com cada paciente).
  • Como é feito: Anestesia geral com raquianestesia, 5 cortes pequenos ao redor de 1 cm no abdome. Pode ser necessário mais acessos a depender do tipo de reconstrução para drenar os rins que foi optada.
  • Tempo de internação: Variável de acordo com cada tipo de reconstrução.
  • Quem é candidato: Portadores de perfis mais agressivos com boa saúde geral.
  • Pontos positivos: Para os piores tipos de tumores, é o tratamento referência.
  • Ponto negativo: Necessita de boa saúde geral e bom preparo antes da cirurgia, a cirurgia é de grande porte, envolve mudança substancial de vida na forma como cada paciente urina.

Esse é o tipo de tratamento mais clássico que existe para tratar o câncer de bexiga com invasão de músculo. O procedimento inclui, além da retirada da bexiga, a construção de uma forma nova de urinar. Existem, grosseiramente, três formas de fazer isso: drenar os canais que saem dos rins direto na pele ou construir um novo canal utilizando parte do intestino drenando também na pele ou construir uma nova bexiga com partes maiores de intestino drenando na própria uretra. A reconstrução é determinada por uma avaliação minuciosa da saúde global e características do corpo de cada paciente. Como as pessoas que necessitam desse tipo de tratamento em geral portam um tipo de doença que gera repercussões sobre a saúde geral — desnutrição, por exemplo — é infrequente encontrar boa saúde suficiente para realizar o tipo de reconstrução mais complexa que a confecção de uma nova bexiga embora seja possível em alguns casos. É preciso comentar que a escolha do tipo de reconstrução no fim será escolha minha ao avaliar todas as nuances que envolvem cada técnica aplicadas à nível individual já que existem detalhes que são complexos no processo decisório e necessitam de experiência no assunto para selecionar adequadamente.

Aqui é importante ter ciência de que trata-se, independente do tipo de reconstrução, de uma cirurgia de grande porte e para isso preparo antes da cirurgia é fundamental. Isso inclui uma equipe de diversos especialistas que vão desde um cardiologista até um nutrologista afim de otimizar as condições antes da execução do procedimento. Existem diversos tratamentos que são realizados antes de chegarmos ao procedimento: de estabelecer uma nutrição adequada até programar quimioterapia antes do procedimento, cada detalhe importa.

Alguns pacientes não atingem pré-requisitos para realizar o procedimento com segurança ou eventualmente não gostariam de lidar com os inconvenientes associados que essa modalidade oferece, para eles podemos realizar os outros métodos que citei acima.

Câncer urotelial de ureter (canal) e rim

Esse tipo de câncer se manifesta de uma maneira diferente quando ocorre nos canais que drenam urina dos rins para a bexiga (ureter) ou no rim. Por mais que, tecnicamente, apareça a partir de uma lesão na mucosa (camada interna que está em contato da urina) como se fosse uma espécie de afta, o fato dele ocorrer fora da bexiga geram outros problemas e implicam em outros tratamentos. Aqui é notável a presença de algumas palavras e achados em exames de imagem (1):

  • Espessamento ureteral
  • Dilatação ureterocalicinal ou hidronefrose
  • Lesão ou massa na via coletora

Existem outros diagnósticos que podem gerar alguns achados como esse porém quando outros dados também apontarem para esse perfil de tumor, ele deve ser a primeira suspeita. É importante distinguir esse tipo de tumor do câncer de rim clássico que surge a partir de um cisto ou nódulo, embora ambos sejam doenças que estão presentes no mesmo órgão, eles têm consequências e tratamentos diferentes.

Na eventualidade de suspeita desse diagnóstico, existem alguns exames que posso solicitar para entender melhor (20):

  • Urotomografia
  • Cintilografias
  • Urorressonância

Entendido todo contexto por exames não invasivos, caso se mantenha alta a suspeita desse tipo de câncer, é prudente realizar um procedimento endoscópico para biópsia da região em que existe lesão. Retirar um fragmento ou quando possível sua totalidade é importante para ter um laudo definitivo sobre o que se trata. Para isso, encaminho esses fragmentos de tecido à uma médica patologista de confiança que olha cuidadosamente e examina afim de dar diagnóstico definitivo.

Após o resultado definitivo da biópsia endoscópica somado aos dados observados no procedimento e nos exames de imagem, se não houver evidência de doença disseminada — ou seja: estamos lidando com uma doença apenas local —, divido dois grupos de pacientes baseado em risco:

Baixo risco

Nesse grupo se enquadram biópsias com lesões de baixa agressividade associado à tumores pequenos e solitários nos exames. Uma observação importante é que existem subclassificações mas para que você entenda preciso simplificar um pouco.

A benesse de ter esse tipo de doença é que torna-se possível um tratamento preservador de rim, sendo necessário apenas procedimentos endoscópicos periódicos para examinar novamente a região de onde foi tirada e cauterizada a lesão.

Tratamento: Cirurgia endoscópica a laser para excisão e cauterização do câncer

  • Como funciona: Utilizando dos trajetos naturais do corpo, introduz-se um aparelho pela uretra que alcança a lesão. Ela é retirada e é realizada cauterização.
  • Tempo de internação: 24h pós procedimento.
  • Recuperação das atividades cotidianas: Em geral 3 dias.
  • Observação: Em alguns casos, pode ser necessário utilizar cateter duplo J.
  • Alternativas que podem ser utilizadas em conjunto: Imunoterapia (BCG, mitomicina) realizada direto na lesão.

O tratamento endoscópico é excelente e produz bons resultados. Esse tipo de câncer, mesmo em resultados de biópsias a princípio mais tranquilizadoras, tem risco de retornar após algum tempo de tratamento porque suas células se desprendem do tumor e ficam em suspensão na urina e assim podem se manifestar tardiamente enquanto outras lesões no trato urinário. Nesse sentido, tomo a precaução de realizar revisões endoscópicas de tempo em tempo para se certificar que foi plenamente resolvido e existe todo um plano de cuidado que é feito para alcançar a cura.

Alto risco

Nesse grupo se enquadram biópsias com lesões de maior agressividade associado à tumores de tamanho acima de 1,5 cm e/ou mais de uma lesão verificada na endoscopia. Aqui, o tratamento curativo é a cirurgia minimamente invasiva de retirada do rim, ureter (canal) e um pequeno fragmento de bexiga associado à retirada de linfonodos ou ínguas.

Existe um detalhe importante: como trata-se de uma lesão de agressividade maior observada na biópsia, é prudente a realização de um tratamento de quimioterapia antes do procedimento, conforme diretrizes recentes (21, 22). Ter um oncologista de confiança em conjunto é fundamental dado que trata-se de uma doença de uma complexidade maior.

A depender do caso, mesmo no alto risco, se há alguma ressalva grande em realizar a cirurgia robótica de retirada dessas estruturas — como por exemplo em pacientes portadores de câncer em seu único rim ou até mesmo na presença concomitante de outras doenças graves que inviabilizam um procedimento de maior porte —, pode ser utilizado o tratamento endoscópico de maneira individualizada (1).

Tratamento: Cirurgia robótica para retirada de rim, ureter (canal) e fragmento de bexiga associado à retirada de linfonodos ou ínguas

  • Como funciona: Anestesia geral com raquianestesia, 5 cortes pequenos ao redor de 1 cm no abdome.
  • Tempo de internação: Cerca de 48h pós procedimento.
  • Recuperação das atividades cotidianas: Em geral 7 dias.
  • Alternativa para alguns contextos especiais: Cirurgia endoscópica preservadora de rim.
  • Tratamento complementar: A depender do laudo da peça retirada na cirurgia, pode ser utilizado quimioterápicos posteriormente à cirurgia em tumores mais graves.
Dúvidas Frequentes
Respostas para as perguntas mais comuns sobre consulta urológica.
Estou com sangue na urina. Pode ser câncer de bexiga?

O sangramento urinário é o principal sintoma do câncer de bexiga, presente em 60 a 85% dos casos — e por isso nunca deve ser ignorado. No entanto, é importante não antecipar o pior: a maioria das pessoas que têm sangramento urinário não tem câncer de bexiga. Quando têm, na maior parte dos casos é uma doença em estágio inicial, completamente tratável com procedimento minimamente invasivo e alta taxa de cura. O sangramento urinário pode aparecer de forma visível ou ser detectado apenas no exame de urina. Em ambos os casos, a orientação é buscar um urologista com agilidade — porque nesse tipo de câncer, o tempo entre o diagnóstico e o tratamento faz diferença real nos resultados.

Fui diagnosticado com câncer de bexiga. O que acontece agora?

Receber esse diagnóstico é impactante, mas o primeiro passo é a calma e a informação. O câncer de bexiga, quando diagnosticado precocemente, tem sobrevida em 5 anos flertando com 100%. O passo imediato após a biópsia é entender se o tumor invade ou não a camada muscular da bexiga — essa é a informação mais determinante para definir o tratamento. Para tumores iniciais, o tratamento é feito por endoscopia, sem cortes, com internação de apenas 24 horas. Não coloque a carroça na frente dos bois: busque um urologista experiente para analisar seu caso com cuidado antes de qualquer conclusão precipitada.

Câncer de bexiga tem cura?

Sim. Para tumores diagnosticados em estágio inicial e localizado, a sobrevida em 5 anos se aproxima de 100%. Esse número cai drasticamente quando a doença já está disseminada — chegando a 5% em 5 anos. Isso reforça a importância central do diagnóstico  e do tratamento precoce. A grande maioria dos casos atendidos em consultório são de tumores iniciais, passíveis de tratamento endoscópico com alta efetividade. A gravidade do diagnóstico está muito mais relacionada ao tempo que se demora em buscar ajuda do que ao diagnóstico em si.

O que é a "raspagem" da bexiga? Dói? Como é a recuperação?

A “raspagem” é o nome popular da ressecção endoscópica do tumor de bexiga — o tratamento padrão para tumores que não invadem o músculo. É feita sob anestesia geral ou raquianestesia, sem nenhum corte, utilizando os caminhos naturais do corpo. Em geral, o tempo de internação é de apenas 24 horas. Por ser minimamente invasiva, é um tratamento revolucionário: permite retirar o tumor mantendo a bexiga funcionando normalmente, sem alterar a qualidade de vida do paciente. O procedimento pode ser realizado com energia elétrica ou laser — ambos eficazes, com o laser apresentando algumas vantagens em casos específicos. Mesmo após a anestesia os pacientes ficam confortáveis e na minha experiência verifico que existem mais sintomas relacionados à imunoterapia do que a cirurgia em si.

Após o tratamento do câncer de bexiga, ele pode voltar?

Sim, e esse é um dos aspectos mais importantes de entender sobre esse tipo de câncer. As células tumorais podem se desprender da lesão e ficarem suspensas na urina, manifestando-se posteriormente em outros pontos da bexiga. Por isso, mesmo após um tratamento bem-sucedido, é indispensável manter um plano de acompanhamento com endoscopias e exames de imagem periódicos. Para casos de maior risco de recorrência, é indicada a imunoterapia com BCG diretamente na bexiga, que direciona o sistema imunológico a combater células residuais. O seguimento adequado é parte tão importante quanto o tratamento em si.

O que é o BCG para câncer de bexiga? Para que serve?

O BCG é uma imunoterapia aplicada diretamente dentro da bexiga através de uma sonda, indicada para tumores com maior risco de recorrência após a ressecção endoscópica. Ele funciona ativando o sistema imunológico localmente para combater células tumorais residuais. Está amplamente estudado e comprovado na redução do risco de recorrência em subtipos específicos de tumores de bexiga. A terapia é bem tolerada pela grande maioria dos pacientes — a intolerância ocorre em cerca de 1 a cada 9 pessoas. Os efeitos colaterais mais comuns são sintomas irritativos da bexiga, passageiros.

Fumar causa câncer de bexiga?

Sim, e de maneira muito significativa. O tabagismo é responsável por até 50% de todos os casos de câncer de bexiga. Quem já fumou em algum momento da vida tem o dobro do risco da população geral. Quem ainda fuma pode ter até quatro vezes mais risco. Na prática clínica, essa proporção parece ainda maior. Além do tabagismo, a exposição a indústrias de fertilizantes e tinta responde por até 20% dos casos. Parar de fumar é, portanto, a medida mais efetiva de prevenção desse tipo de câncer.

Precisa tirar a bexiga no tratamento do câncer de bexiga?

Não necessariamente — e essa é uma das informações mais tranquilizadoras para quem recebe esse diagnóstico. Para tumores que não invadem o músculo da bexiga, o tratamento é endoscópico e a bexiga é preservada integralmente. Mesmo para tumores que invadem o músculo, existem estratégias modernas que permitem preservar a bexiga em casos selecionados — seja pela cirurgia robótica de retirada apenas do fragmento que invade o músculo, seja pela terapia combinada de cirurgia endoscópica, quimioterapia e radioterapia. A retirada completa da bexiga fica reservada para os casos mais graves e pacientes com boas condições clínicas para uma cirurgia de grande porte.

O câncer de bexiga que invade o músculo tem cura?

Sim, mas exige tratamento mais agressivo e planejamento cuidadoso. Existem três abordagens possíveis: a cirurgia robótica para retirada apenas do fragmento que invade o músculo (preservando a bexiga em casos selecionados), a terapia combinada de cirurgia endoscópica periódica com quimioterapia e radioterapia, ou a retirada completa da bexiga com reconstrução do sistema urinário. A escolha entre elas depende das características do tumor, das condições gerais de saúde do paciente e de uma análise individualizada cuidadosa. As taxas de cura com os tratamentos adequados são significativas, especialmente quando a doença ainda está restrita à bexiga.

O que acontece quando se retira a bexiga? Como fica a urina?

Quando a bexiga é retirada, é necessário construir uma nova forma de drenar a urina produzida pelos rins. Existem basicamente três possibilidades: drenar os canais dos rins diretamente na pele, construir um novo canal com parte do intestino também drenando na pele, ou construir uma nova bexiga com parte do intestino conectada à uretra. A escolha entre essas opções é determinada por uma avaliação minuciosa das condições gerais e características físicas de cada paciente. Independentemente da opção, trata-se de uma mudança substancial na forma de urinar — e o preparo antes da cirurgia, que inclui nutrição adequada e avaliação cardiológica, é tão importante quanto a própria cirurgia.

O câncer de bexiga afeta só a bexiga ou pode aparecer em outros lugares?

O câncer urotelial pode se desenvolver em qualquer parte do trato urinário que esteja em contato com a urina: bexiga, ureter (canal que liga o rim à bexiga), rim e uretra. A bexiga é o local mais comum, correspondendo a 90% dos casos. Quando ocorre no ureter ou rim, os sinais nos exames de imagem incluem espessamento do canal, dilatação do sistema coletor ou massa na via urinária. Nesses casos, o tratamento é diferente do câncer de bexiga — e envolve, nos casos de maior risco, a retirada do rim, ureter e um fragmento de bexiga por cirurgia robótica.

Mulher pode ter câncer de bexiga? Por que o diagnóstico demora mais?

Sim. Embora o câncer de bexiga seja 4 vezes mais frequente em homens, mulheres também são afetadas. O problema é que o principal sintoma — o sangramento urinário — é frequentemente atribuído nas mulheres a infecções urinárias de repetição, retardando o diagnóstico correto. Esse atraso diagnóstico piora o prognóstico nos casos femininos de forma relevante. Qualquer episódio de sangramento urinário em mulher que não tenha explicação clara e resolvida merece investigação com um urologista, independentemente da frequência com que infecções urinárias ocorram.

 Quais exames são feitos para investigar suspeita de câncer de bexiga?

A investigação combina exames de imagem e procedimentos endoscópicos. Os exames de imagem incluem a urotomografia (tomografia com contraste em via excretora), a uroressonância e, uma vez confirmado o diagnóstico, tomografias de abdome e tórax para avaliar se há disseminação. O diagnóstico definitivo, no entanto, só é possível pela biópsia — obtida durante a endoscopia. A cistoscopia visualiza diretamente o interior da bexiga e, em muitos casos, permite já nesse mesmo momento realizar a ressecção completa da lesão, evitando duas anestesias. A citologia oncótica na urina também pode ser utilizada como exame complementar.

Câncer de ureter: quais os sintomas e como é tratado?

O câncer de ureter frequentemente não tem sintomas claros nos estágios iniciais. Quando se manifesta, os achados mais comuns em exames de imagem são espessamento do canal ureteral, dilatação do sistema coletor do rim (hidronefrose) ou massa na via urinária. Após confirmação por biópsia endoscópica, o tratamento depende do grau de agressividade da lesão. Para tumores de baixo risco, é possível o tratamento endoscópico a laser preservando o rim. Para os de alto risco, o tratamento padrão é a cirurgia robótica de retirada do rim, ureter e um fragmento de bexiga, frequentemente precedida de quimioterapia.

O câncer de bexiga é hereditário? Tenho histórico na família: devo me preocupar?

O câncer de bexiga não tem herança genética tão marcante quanto outros tipos de câncer, como mama ou próstata. Os principais fatores de risco estabelecidos são o tabagismo (responsável por até 50% dos casos), a exposição ocupacional a substâncias químicas como fertilizantes e tintas, a idade acima de 55 anos e a exposição prévia à radioterapia pélvica. Histórico familiar pode ser um fator de atenção, mas não determina de forma isolada o desenvolvimento da doença. O mais importante é manter acompanhamento urológico regular, especialmente se houver outros fatores de risco associados — e nunca ignorar sangramento urinário, mesmo que isolado.

Tire suas dúvidas sobre câncer de bexiga.

Entre em contato e receba orientação para definir a melhor opção de tratamento para seu caso.

Agendar Consulta
  1. Lenis AT, Lec PM, Chamie K, MSHS M. Bladder Cancer: A Review. JAMA. 2020;324(19):1980–1991. doi:10.1001/jama.2020.17598
  2. Expert Panel on Urological Imaging; Barker SJ, Soylu E, Allen BC, Auron M, Costa DN, Gerena M, Lotan Y, Rose TL, Solanki A, Surasi DS, Turkbey B, Whitworth P 3rd, Oto A. ACR Appropriateness Criteria® Pretreatment Staging of Urothelial Cancer: 2024 Update. J Am Coll Radiol. 2024 Nov;21(11S):S464-S489. doi: 10.1016/j.jacr.2024.08.022. PMID: 39488355.
  3. Jubber I, Ong S, Bukavina L, Black PC, Compérat E, Kamat AM, Kiemeney L, Lawrentschuk N, Lerner SP, Meeks JJ, Moch H, Necchi A, Panebianco V, Sridhar SS, Znaor A, Catto JWF, Cumberbatch MG. Epidemiology of Bladder Cancer in 2023: A Systematic Review of Risk Factors. Eur Urol. 2023 Aug;84(2):176-190. doi: 10.1016/j.eururo.2023.03.029. Epub 2023 May 16. PMID: 37198015.
  4. Freedman ND, Silverman DT, Hollenbeck AR, Schatzkin A, Abnet CC. Association Between Smoking and Risk of Bladder Cancer Among Men and Women. JAMA. 2011;306(7):737–745. doi:10.1001/jama.2011.1142
  5. Jacobs BL, Lee CT, Montie JE. Bladder cancer in 2010: how far have we come? CA Cancer J Clin. 2010 Jul-Aug;60(4):244-72. doi: 10.3322/caac.20077. Epub 2010 Jun 21. PMID: 20566675.
  6. Kamat AM, Hahn NM, Efstathiou JA, Lerner SP, Malmström PU, Choi W, Guo CC, Lotan Y, Kassouf W. Bladder cancer. Lancet. 2016 Dec 3;388(10061):2796-2810. doi: 10.1016/S0140-6736(16)30512-8. Epub 2016 Jun 23. PMID: 27345655.
  7. Matthew Nielsen, Amir Qaseem, for the High Value Care Task Force of the American College of Physicians. Hematuria as a Marker of Occult Urinary Tract Cancer: Advice for High-Value Care From the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2016;164:488-497. doi:10.7326/M15-1496
  8. Ingelfinger JR. Hematuria in adults. N Engl J Med. 2021 Jul 7;385(2):153-163. doi: 10.1056/NEJMra1604481.
  9. Holzbeierlein JM, Bixler BR, Buckley DI, Chang SS, Holmes R, James AC, et al. Diagnosis and Treatment of Non-Muscle Invasive Bladder Cancer: AUA/SUO Guideline: 2024 Amendment. Journal of Urology. 2024 Apr 1;211(4):533–8. doi: 10.1097/JU.0000000000003846
  10. Miller KD, Nogueira L, Mariotto AB, Rowland JH, Yabroff KR, Alfano CM, Jemal A, Kramer JL, Siegel RL. Cancer treatment and survivorship statistics, 2019. CA Cancer J Clin. 2019 Sep;69(5):363-385. doi: 10.3322/caac.21565. Epub 2019 Jun 11. PMID: 31184787.
  11. O’Sullivan NJ, MacCraith E, Temperley HC, Naughton A, Davis NF. Standard Transurethral Resection vs Transurethral Laser Surgery for Bladder Cancer: A Systematic Review and Meta-Analysis Comparing Clinical Outcomes and Complications. J Endourol. 2023 Mar;37(3):304-315. doi: 10.1089/end.2022.0328. Epub 2023 Jan 23. PMID: 36367162.
  12. Diana P, Gallioli A, Fontana M, Territo A, Bravo A, Piana A, Baboudjian M, Gavrilov P, Rodriguez-Faba Ó, Gaya JM, Algaba F, Palou J, Breda A. Energy source comparison in en-bloc resection of bladder tumors: subanalysis of a single-center prospective randomized study. World J Urol. 2023 Oct;41(10):2591-2597. doi: 10.1007/s00345-022-04042-y. Epub 2022 May 31. PMID: 35639159; PMCID: PMC9152642.
  13. Wu K, Jiang D, Zhang L, Jiang S, Lin T, Luo Y, Fan J, Yang T, Chen H, Zhang P, Wang X, Wei Q, Guo J, Huang Y, He D. Efficacy and safety of a novel 450 nm blue diode laser versus plasmakinetic electrocautery for the transurethral resection of non-muscle invasive bladder cancer: The protocol and result of a multicenter randomized controlled trial. Front Oncol. 2023 Jan 17;12:1065735. doi: 10.3389/fonc.2022.1065735. PMID: 36733358; PMCID: PMC9887014.
  14. National Comprehensive Cancer Network. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®): Bladder Cancer. Version 2.2025. Plymouth Meeting (PA): NCCN; 2025. Disponível em: https://www.nccn.org/professionals/physician_gls/pdf/bladder.pdf
  15. Chen S, Zhang N, Shao J, Wang X. Maintenance versus non-maintenance intravesical Bacillus Calmette-Guerin instillation for non-muscle invasive bladder cancer: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Int J Surg. 2018 Apr;52:248-257. doi: 10.1016/j.ijsu.2018.02.045. Epub 2018 Feb 28. PMID: 29499363.
  16. Gupta S, Hensley PJ, Li R, Choudhury A, Daneshmand S, Faltas BM, Flaig TW, Grass GD, Grivas P, Hansel DE, Hassanzadeh C, Kassouf W, Kukreja J, Mendoza-Valdés A, Moschini M, Mouw KW, Navai N, Necchi A, Rosenberg JE, Ross JS, Siefker-Radtke AO, Taylor J, Willliams SB, Zlotta AR, Buckley R, Kamat AM. Bladder Preservation Strategies in Muscle-invasive Bladder Cancer: Recommendations from the International Bladder Cancer Group. Eur Urol. 2026 Jan;89(1):18-28. doi: 10.1016/j.eururo.2025.03.017. Epub 2025 Apr 22. PMID: 40268594.
  17. Holzbeierlein J, Bixler BR, Buckley DI, Chang SS, Holmes RS, James AC, et al. Treatment of Non-Metastatic Muscle-Invasive Bladder Cancer: AUA/ASCO/SUO Guideline (2017; Amended 2020, 2024). Journal of Urology. 2024 Jul 1;212(1):3–10. doi: 10.1097/JU.0000000000003981
  18. Zlotta AR, Ballas LK, Niemierko A, Lajkosz K, Kuk C, Miranda G, Drumm M, Mari A, Thio E, Fleshner NE, Kulkarni GS, Jewett MAS, Bristow RG, Catton C, Berlin A, Sridhar SS, Schuckman A, Feldman AS, Wszolek M, Dahl DM, Lee RJ, Saylor PJ, Michaelson MD, Miyamoto DT, Zietman A, Shipley W, Chung P, Daneshmand S, Efstathiou JA. Radical cystectomy versus trimodality therapy for muscle-invasive bladder cancer: a multi-institutional propensity score matched and weighted analysis. Lancet Oncol. 2023 Jun;24(6):669-681. doi: 10.1016/S1470-2045(23)00170-5. Epub 2023 May 12. PMID: 37187202.
  19. Efstathiou JA, Bae K, Shipley WU, Kaufman DS, Hagan MP, Heney NM, Sandler HM. Late pelvic toxicity after bladder-sparing therapy in patients with invasive bladder cancer: RTOG 89-03, 95-06, 97-06, 99-06. J Clin Oncol. 2009 Sep 1;27(25):4055-61. doi: 10.1200/JCO.2008.19.5776. Epub 2009 Jul 27. PMID: 19636019; PMCID: PMC2734419.
  20. Kolawa A, D’Souza A, Tulpule V. Overview, Diagnosis, and Perioperative Systemic Therapy of Upper Tract Urothelial Carcinoma. Cancers (Basel). 2023 Sep 30;15(19):4813. doi: 10.3390/cancers15194813. PMID: 37835507; PMCID: PMC10571968.
  21. Coleman JA, Yip W, Wong NC, Sjoberg DD, Bochner BH, Dalbagni G, Donat SM, Herr HW, Cha EK, Donahue TF, Pietzak EJ, Hakimi AA, Kim K, Al-Ahmadie HA, Vargas HA, Alvim RG, Ghafoor S, Benfante NE, Meraney AM, Shichman SJ, Kamradt JM, Nair SG, Baccala AA Jr, Palyca P, Lash BW, Rizvi MA, Swanson SK, Muina AF, Apolo AB, Iyer G, Rosenberg JE, Teo MY, Bajorin DF. Multicenter Phase II Clinical Trial of Gemcitabine and Cisplatin as Neoadjuvant Chemotherapy for Patients With High-Grade Upper Tract Urothelial Carcinoma. J Clin Oncol. 2023 Mar 10;41(8):1618-1625. doi: 10.1200/JCO.22.00763. Epub 2023 Jan 5. PMID: 36603175; PMCID: PMC10043554.
  22. Coleman JA, Clark PE, Bixler BR, Buckley DI, Chang SS, Chou R, et al. Diagnosis and Management of Non-Metastatic Upper Tract Urothelial Carcinoma: AUA/SUO Guideline. Journal of Urology. 2023 Jun 1;209(6):1071–81. doi: 10.1097/JU.0000000000003480