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Pedra nos rins pode prejudicar o rim a longo prazo?

Dr. Gustavo Guerrero, urologista formado pela USP, em São Paulo - CRM 199490, realizando procedimento a laser para cálculo renal
Dr. Gustavo Guerrero CRM - SP 199.490 | RQE 136.277

Pedra nos rins pode prejudicar o rim a longo prazo?

Quem já teve uma cólica renal costuma se preocupar com a dor de repetir o episódio. Mas existe uma pergunta menos óbvia, e mais importante, que faço questão de trazer no consultório: o cálculo renal pode, com o tempo, comprometer a saúde do próprio rim? A resposta honesta é sim, e é justamente por isso que tratar a pedra do momento é só metade do cuidado.

O que os estudos mostram

Não se trata de alarme, mas de um dado que merece atenção: quem forma cálculos renais tem cerca do dobro do risco de desenvolver doença renal crônica ao longo da vida, quando comparado a quem nunca teve pedras (1-2). Esse risco não é igual para todos: ele se concentra em determinados perfis e situações, e conhecê-los é o que permite agir a tempo.

Quem tem maior risco de complicações

Alguns grupos merecem um acompanhamento mais próximo, porque a formação de cálculos, nesses casos, tende a repercutir mais sobre a função dos rins (1,2):

  • Pessoas com cálculos de repetição – quanto mais episódios, maior a carga sobre o rim;
  • Quem tem infecções urinárias associadas às pedras (os chamados cálculos de infecção);
  • Portadores de doenças hereditárias do metabolismo que favorecem a formação de cálculos;
  • Pessoas com alterações anatômicas do trato urinário;
  • Quem convive com diabetes, hipertensão ou gota (3,4).

Vale um destaque baseado nos estudos: mulheres e pessoas com sobrepeso que formam cálculos apresentam um risco um pouco maior de repercussão renal a longo prazo (2). Não é motivo para susto: é motivo para acompanhamento adequado.

O que aumenta a chance de formar pedras

Além do risco renal, vale entender o que favorece o aparecimento das pedras em primeiro lugar, porque boa parte disso é modificável (3,5-6):

  • Baixa ingestão de água e desidratação crônica;
  • Obesidade central e diabetes tipo 2;
  • História familiar ou pessoal de cálculos;
  • Tabagismo e baixa atividade física.

Repare que vários desses fatores estão ao seu alcance. É aí que mora a boa notícia: em muitos casos, dá para reduzir de forma concreta tanto a chance de novas pedras quanto o risco para o rim.

Minha visão sobre o assunto

Na minha experiência, o erro mais comum de quem teve um cálculo é encarar o episódio como um ponto final: a dor passou, a pedra saiu ou foi retirada, e a vida segue sem investigação. Mas o cálculo raramente é um evento isolado – ele costuma ser o sinal visível de um processo que continua acontecendo em silêncio. Entender por que a pedra se formou, identificar em qual grupo de risco você está e montar um plano de prevenção individualizado é o que protege o seu rim ao longo dos anos, e não apenas alivia a crise de hoje.

É esse olhar de longo prazo, mais do que a remoção da pedra em si, que considero o verdadeiro cuidado com quem forma cálculos.

Se você já teve pedra nos rins e quer entender o seu risco e como preveni-lo, posso avaliar o seu caso – presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.

Para entender causas, tratamento e prevenção em detalhe, veja também minha página sobre Cálculos Renais.

Referências

  1. Gambaro G, Favaro S, D’Angelo A. Risk for Renal Failure in Nephrolithiasis. Am J Kidney Dis. 2001.
  2. Gambaro G, Croppi E, Bushinsky D, et al. The Risk of Chronic Kidney Disease Associated With Urolithiasis and Its Urological Treatments: A Review. J Urol. 2017.
  3. National Library of Medicine (MedlinePlus). Kidney Stones. 2019.
  4. Choy SH, Nyanatay SA, Sothilingam S, et al. Cardiovascular Risk Factors, Ethnicity and Infection Stone Are Independent Factors Associated With Reduced Renal Function in Renal Stone Formers. PLoS One. 2021.
  5. Ma Y, Cheng C, Jian Z, et al. Risk Factors for Nephrolithiasis Formation: An Umbrella Review. Int J Surg. 2024.
  6. Stritt K, Plouvin M, Younes SE, et al. Epidemiology and Risk Factors of Urolithiasis: Insights From SKIPOGH, a Population-Based Cohort Study in Switzerland. Clin Kidney J. 2026.

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