Beber água previne cálculo renal? O que a ciência diz
A pedra no rim, ou cálculo renal, é uma das condições urológicas mais dolorosas e prevalentes. No Brasil, estima-se que até 10% da população apresentará algum episódio ao longo da vida. A boa notícia: uma medida simples e barata reduz significativamente o risco. Beber água.
Por que a hidratação é a primeira linha de prevenção
Quando a urina fica muito concentrada, minerais como cálcio, oxalato e ácido úrico precipitam e formam cristais. Com volume urinário adequado, essas substâncias permanecem dissolvidas e são eliminadas naturalmente. As diretrizes internacionais de nefrologia recomendam uma diurese diária superior a 2,0 – 2,5 litros para reduzir o risco de recorrência – o que equivale, na prática, a ingerir cerca de 2,5 a 3 litros de líquidos por dia, dependendo do clima, atividade física e dieta.
O que os estudos mostram
Um dos trabalhos mais citados na área é o ensaio clínico randomizado de Borghi et al. (1996), publicado no Journal of Urology, que acompanhou pacientes com cálculos de cálcio por 5 anos. O grupo orientado a manter diurese acima de 2 L/dia apresentou uma taxa de recorrência significativamente menor (12% vs. 27%) em comparação ao grupo controle.
Uma revisão sistemática publicada no British Medical Journal por Fink et al. (2013) confirmou que o aumento da ingestão de fluidos é a intervenção não farmacológica com maior nível de evidência para prevenção de litíase renal.
Outro estudo relevante, conduzido por Prezioso et al. (2015) e publicado nas Archivio Italiano di Urologia e Andrologia, revisou o papel da hidratação em diferentes tipos de cálculos (cálcio-oxalato, ácido úrico, estruvita) e concluiu que nenhum tipo de cálculo deixa de se beneficiar do aumento do volume urinário.
Conclusão
A hidratação adequada é, até hoje, a estratégia mais simples, segura e bem evidenciada para prevenir cálculos renais. Antes de qualquer suplemento ou intervenção, é necessário beber água suficiente ao longo do dia. Em casos de litíase recorrente, a avaliação metabólica completa com urina de 24 horas é indispensável para identificar fatores de risco específicos e personalizar o tratamento.
Referências
- Borghi L, et al. Urinary volume, water and recurrences in idiopathic calcium nephrolithiasis: a 5-year randomized prospective study. Journal of Urology. 1996;155(3):839–843. https://doi.org/10.1016/S0022-5347(01)66749-2
- Fink HA, et al. Medical management to prevent recurrent nephrolithiasis in adults: a systematic review for an American College of Physicians Clinical Guideline. Annals of Internal Medicine. 2013;158(7):535–543. https://doi.org/10.7326/0003-4819-158-7-201304020-00005
- Prezioso D, et al. Dietary treatment of urinary risk factors for renal stone formation. A review of CLU Working Group. Archivio Italiano di Urologia e Andrologia. 2015;87(2):105–120. https://doi.org/10.4081/aiua.2015.2.105
- Skolarikos A, et al. Metabolic evaluation and recurrence prevention for urinary stone patients: EAU guidelines. European Urology. 2015;67(4):750–763. https://doi.org/10.1016/j.eururo.2014.10.029
Este conteúdo é de caráter informativo e educacional. Para diagnóstico e tratamento individualizado, consulte um urologista.
