Laser para tratar pedra nos rins: como funciona?
Quando uma pedra no rim ou no ureter precisa ser tratada, uma das dúvidas mais comuns é: “vou precisar de corte?”. A resposta costuma tranquilizar: hoje, boa parte dos cálculos é tratada com laser, por dentro do corpo, sem nenhum corte externo. É uma das abordagens mais consolidadas e seguras da urologia moderna para esse problema (1-2). Vou explicar como funciona, de forma simples.
Como o laser trata a pedra, sem cortes
O procedimento se chama ureteroscopia a laser. Em vez de uma incisão, o médico usa um aparelho fino e flexível que entra pelo caminho natural da urina – pela uretra – e chega até a pedra, seja ela no ureter ou dentro do rim. Por dentro desse aparelho passa uma fibra de laser que atinge o cálculo diretamente.
A fibra é flexível o suficiente para alcançar praticamente qualquer parte do sistema urinário (3), o que torna o laser eficaz para pedras em diferentes localizações, e para cálculos de qualquer composição (2).
O que o laser faz com a pedra
O laser pode trabalhar de duas formas principais, e o urologista escolhe conforme o caso:
- Fragmentar: quebra a pedra em pedaços maiores, que são então retirados com uma pequena cesta;
- Pulverizar (o chamado “dusting”): transforma o cálculo em partículas finíssimas, como um pó, que o próprio corpo elimina naturalmente pela urina nos dias seguintes.
A técnica de pulverização tem se tornado cada vez mais utilizada, porque reduz o “empurrão” que faz a pedra escapar durante o procedimento e costuma dispensar a retirada manual dos fragmentos (1).
Funciona bem? E é seguro?
Sim para as duas perguntas. Os estudos mostram altas taxas de sucesso – em séries de pacientes com pedras grandes, a taxa de ausência de cálculos chega quase a 100%, com uma minoria precisando de um segundo procedimento (4).
Quanto à segurança, o perfil é favorável: a taxa geral de complicações da ureteroscopia a laser é baixa, e a maioria dos eventos é leve (3).
Um ponto que considero importante: o laser é seguro mesmo em situações mais delicadas, como em pacientes com obesidade, em uso de anticoagulantes ou em crianças (3). Isso amplia bastante quem pode se beneficiar dele.
A vantagem que mais importa para a sua vida
Além da eficácia, o que costuma pesar para o paciente é a recuperação. Por ser minimamente invasivo e sem cortes, o procedimento a laser em geral permite um retorno rápido às atividades – algo especialmente valioso para quem não pode ficar muito tempo parado.
Vale lembrar, porém, de algo que sempre reforço: tratar a pedra é metade do caminho. O laser resolve o cálculo do momento, mas entender por que ele se formou e prevenir a recorrência é o que realmente protege você a longo prazo.
Minha visão sobre o assunto
Na minha experiência, muitos pacientes chegam imaginando uma cirurgia grande, com cortes e longa recuperação, e se surpreendem ao saber que a maior parte dos cálculos pode ser tratada por dentro, com laser. A tecnologia evoluiu justamente para resolver o problema com mais precisão e menos impacto na sua rotina. O que defino em cada caso — a técnica, a abordagem, o plano de prevenção — depende das características da sua pedra e da sua história, e é isso que conversamos na consulta.
Se você tem um cálculo que precisa ser tratado e quer entender a melhor opção para o seu caso, posso avaliar seus exames — presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.
Para entender causas, tratamento e prevenção dos cálculos, veja também minha página sobre Cálculos Renais.
Referências
- Hardy LA, Vinnichenko V, Fried NM. High Power Holmium:YAG Versus Thulium Fiber Laser Treatment of Kidney Stones in Dusting Mode. Lasers Surg Med. 2019.
- Razvi HA, Denstedt JD, Chun SS, Sales JL. Intracorporeal Lithotripsy With the Holmium:YAG Laser. J Urol. 1996.
- Lange B, Cordes J, Brinkmann R. Exploiting the Aiming Beam to Increase the Safety of Laser Lithotripsy. Lasers Surg Med. 2020.
- Pietropaolo A, Massella V, Ripa F, Sinha MM, Somani BK. Ureteroscopy and Lasertripsy With Pop Dusting Using High Power Holmium Laser for Large Urinary Stones >15 mm: 6.5-Year Prospective Outcomes. World J Urol. 2023.
