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Pedra nos rins em criança: por que é diferente e o que investigar

Dr. Gustavo Guerrero, urologista, orientando sobre cirurgia robótica em consultório no Alto da Lapa, em São Paulo
Dr. Gustavo Guerrero CRM - SP 199.490 | RQE 136.277

Pedra nos rins em criança: por que é diferente e o que investigar

Descobrir que uma criança tem pedra nos rins costuma assustar os pais, em parte porque parece “coisa de adulto”. E essa intuição, de certa forma, aponta para o que mais importa: a pedra na criança quase nunca é apenas uma pedra. Na maioria dos casos, existe uma causa por trás – metabólica ou genética – que precisa ser investigada. É por isso que o cálculo infantil pede um olhar diferente do que se dá ao adulto.

Por que na criança é diferente

No adulto, boa parte dos cálculos se explica por fatores do dia a dia – pouca água, alimentação, calor. Na criança, o cenário se inverte: os fatores metabólicos e genéticos predominam, especialmente nas menores de 10 anos, nas quais mais da metade tem alguma alteração metabólica identificável por trás da pedra (1).

Isso não é motivo para pânico – é motivo para investigar direito. Uma pedra na infância é, muitas vezes, o primeiro sinal visível de algo que vale entender e tratar, justamente para proteger os rins da criança no longo prazo.

O que costuma estar por trás

As causas são variadas, mas algumas se repetem. Sem entrar no jargão médico, as mais comuns envolvem alterações na forma como o corpo da criança processa certas substâncias na urina, como cálcio, oxalato ou citrato, que favorecem a formação dos cristais que viram pedra (2-3).

Há ainda um grupo importante de causas genéticas, que merecem atenção especial quando a criança é pequena ou quando as pedras se repetem. Algumas dessas condições são hereditárias e, se não identificadas, podem afetar a função dos rins ao longo do tempo (1, 3). É por isso que a história da família é uma informação valiosa na consulta.

Outras vezes, a pedra tem origem em infecções urinárias de repetição ou em alterações na anatomia do trato urinário da criança, que dificultam o fluxo normal da urina (3-4).

Por que a investigação completa é tão importante

Aqui está o ponto que faço questão de reforçar aos pais: em mais de três de cada quatro crianças com cálculo, é possível encontrar um fator identificável que explica a pedra (1). E encontrar esse fator muda tudo – porque permite não apenas tratar a pedra atual, mas prevenir novas e proteger os rins do dano que a recorrência pode causar.

Por isso, a criança com pedra nos rins deve passar por uma avaliação que vai além de “retirar o cálculo”: inclui exames de urina e de sangue que ajudam a identificar a causa. É um passo que, na infância, tem valor ainda maior do que no adulto, porque a prevenção começa cedo e acompanha o crescimento.

Minha visão sobre o assunto

Na minha experiência, o que mais tranquiliza os pais é entender que tratar a pedra é só o começo – o verdadeiro cuidado está em descobrir por que ela apareceu. Com a investigação certa, na maioria das vezes é possível identificar a causa, montar um plano de prevenção e permitir que ela cresça com os rins protegidos. Esse olhar de longo prazo é o que faz diferença.

Se o seu filho ou filha teve um episódio de pedra nos rins e você quer uma avaliação cuidadosa, posso ajudar – presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.

Para entender causas, tratamento e prevenção dos cálculos, veja também minha página sobre Cálculos Renais.

Referências

  1. Habbig S, Beck BB, Hoppe B. Nephrocalcinosis and Urolithiasis in Children. Kidney Int. 2011. PMID: 21956187.
  2. Spivacow FR, Del Valle EE, Boailchuk JA, et al. Metabolic Risk Factors in Children With Kidney Stone Disease: An Update. Pediatr Nephrol. 2020. PMID: 32564280.
  3. Hernandez JD, Ellison JS, Lendvay TS. Current Trends, Evaluation, and Management of Pediatric Nephrolithiasis. JAMA Pediatr. 2015.
  4. Barreto L, Jung JH, Abdelrahim A, et al. Medical and Surgical Interventions for the Treatment of Urinary Stones in Children. Cochrane Database Syst Rev. 2019.

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