Devo fazer o exame de PSA?
É uma das perguntas mais comuns no consultório e, ao contrário do que muitos esperam, a resposta honesta não é um “sim” automático para todo mundo. O exame de PSA é uma ferramenta valiosa, mas a decisão de fazê-lo deve ser individual, conversada entre você e o seu médico. Vou explicar por quê.
O que o PSA pode fazer por você
O PSA é um exame de sangue simples que ajuda a detectar precocemente o câncer de próstata, muitas vezes antes de qualquer sintoma. E detectar cedo importa: os estudos mostram que o rastreamento reduz mortes por câncer de próstata e diminui a chance de a doença ser descoberta já em estágio avançado (1-3).
Há ainda um benefício menos falado: um resultado tranquilizador também informa. Para muitos homens, saber que o risco é baixo traz sossego real por anos (2).
O outro lado, que precisa ser dito
Também existem resultados falso-positivos: um PSA alterado que, após investigação, não revela câncer nenhum, mas que gerou ansiedade e exames no caminho.
Por isso as diretrizes internacionais não recomendam que todo homem faça o exame automaticamente. Elas recomendam algo mais sensato: uma conversa (3, 4).
Então quem deve fazer?
De forma geral, a discussão sobre o PSA costuma começar por volta dos 45-50 anos, sempre considerando a saúde geral de cada um (3, 4).
Alguns homens, porém, merecem começar essa conversa mais cedo, porque têm risco aumentado (2, 4):
- Homens negros, que apresentam maior incidência e maior mortalidade por câncer de próstata;
- Homens com histórico familiar de câncer de próstata, especialmente em parentes de primeiro grau;
- Homens com alterações genéticas conhecidas ligadas a maior risco, como mutações nos genes BRCA.
O que realmente importa nessa decisão
Aqui está o ponto que considero central: a pergunta não é apenas “fazer ou não fazer o PSA”, mas o que se faz com o resultado. Um PSA alterado não significa câncer, e não obriga ninguém a uma biópsia imediata. Hoje, a investigação moderna com exames de imagem antes de qualquer procedimento permite separar melhor quem realmente precisa seguir adiante de quem pode ser apenas acompanhado.
Da mesma forma, nem todo câncer de próstata detectado exige tratamento imediato. Alguns casos de baixo risco podem ser acompanhados de perto, com segurança.
Minha visão sobre o assunto
Na minha experiência, o exame de PSA gera dois erros opostos: o homem que faz o exame sem nenhuma orientação e entra em pânico com um resultado que talvez nem exigisse alarme, e o que evita o assunto por anos e descobre a doença tarde. O caminho do meio é o mais sensato: conversar, entender o seu risco individual e decidir com informação. É exatamente isso que faço no consultório e a conversa costuma ser bem mais tranquila do que o homem imagina.
Se você tem dúvidas sobre fazer ou não o PSA, ou recebeu um resultado que o preocupou, posso avaliar o seu caso — presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.
Para entender o diagnóstico e o tratamento do câncer de próstata, veja também minha página sobre Câncer de Próstata.
Referências
- Sandhu S, Moore CM, Chiong E, et al. Prostate Cancer. Lancet. 2021.
- Pinsky PF, Parnes H. Screening for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023.
- US Preventive Services Task Force, Grossman DC, Curry SJ, et al. Screening for Prostate Cancer. JAMA. 2018.
- Raychaudhuri R, Lin DW, Montgomery RB. Prostate Cancer. JAMA. 2025.
