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Dor nas costas pode ser pedra no rim?

Dr. Gustavo Guerrero, urologista, orientando sobre cirurgia robótica em consultório no Alto da Lapa, em São Paulo
Dr. Gustavo Guerrero CRM - SP 199.490 | RQE 136.277

Dor nas costas pode ser pedra no rim?

É uma dúvida frequente — e a resposta objetiva é: sim, a pedra no rim pode causar dor nas costas, mas nem toda dor nas costas é pedra. Na verdade, a maioria das dores lombares tem origem muscular ou na coluna. O que diferencia a dor de um cálculo renal é o seu caráter e os sinais que a acompanham. Saber reconhecer essa diferença ajuda você a entender quando é hora de investigar.

Como é a dor típica de pedra no rim

A dor clássica do cálculo renal, chamada de cólica renal, tem características bem particulares (1, 2):

  • Vem em ondas, forte e aguda, não como um incômodo constante. É frequentemente descrita como uma das piores dores que existem;
  • Começa na lateral das costas (o flanco) e costuma irradiar para a frente e para baixo, em direção à virilha e à região genital;
  • Não melhora ao mudar de posição. Esse é um sinal importante: enquanto uma dor muscular costuma aliviar ou piorar conforme o movimento, na cólica renal a pessoa não consegue encontrar posição confortável – ela se contorce, anda de um lado para o outro;
  • Muda de lugar conforme a pedra desce pelo canal urinário, podendo migrar em direção à parte baixa do abdome.

Os sinais que costumam acompanhar

A pedra raramente vem sozinha. Alguns sinais reforçam a suspeita (1):

  • Sangue na urina – presente na maioria dos casos, às vezes visível, às vezes só detectável em exame;
  • Náuseas e vômitos, que acompanham a dor intensa;
  • Vontade frequente e urgente de urinar, ou ardência, especialmente quando a pedra se aproxima da bexiga – sintomas que podem, inclusive, ser confundidos com uma infecção urinária.

Se a sua dor nas costas é constante, ligada a esforço ou a certas posições, e não tem nenhum desses acompanhamentos, é mais provável que a origem seja muscular ou da coluna – mas só a avaliação confirma.

Um ponto que surpreende: pedras pequenas também doem

Existe a crença de que só pedras grandes causam dor. Não é bem assim. Mesmo cálculos pequenos, que nem chegam a obstruir totalmente o canal, podem provocar dor significativa, e estudos mostram melhora importante do quadro depois que essas pedras são tratadas (2, 3). Ou seja: o tamanho da pedra nem sempre corresponde ao tamanho da dor.

Vale lembrar o quanto isso é comum: até 12% das pessoas terão um cálculo urinário ao longo da vida, e quem já teve tem cerca de 50% de chance de ter de novo (1).

Quando procurar avaliação

Dor forte no flanco, sobretudo se vier com sangue na urina, náuseas ou dificuldade para urinar, merece avaliação e, se a dor for intensa e não ceder, ou vier acompanhada de febre, a busca por atendimento deve ser imediata, porque uma pedra que obstrui e infecciona é uma urgência.

Minha visão sobre o assunto

Na minha experiência, muita gente convive com episódios de dor no flanco atribuindo tudo a “mau jeito” ou “dor na coluna”, até que uma crise mais forte revela a pedra. Quando a dor nas costas tem esse caráter de cólica que irradia e não passa com repouso, vale investigar o rim. Um exame de imagem simples costuma esclarecer rapidamente e, se for cálculo, quanto antes se entende o quadro, mais simples tende a ser o cuidado.

Se você tem dores no flanco que desconfia serem pedra no rim, posso avaliar o seu caso – presencial ou por teleconsulta. Fale comigo aqui.

Para entender causas, tratamento e prevenção dos cálculos, veja também minha página sobre Cálculos Renais.

Referências

  1. Teichman JM. Acute Renal Colic from Ureteral Calculus. N Engl J Med. 2004.
  2. Worster AS, Bhanich Supapol W. Fluids and Diuretics for Acute Ureteric Colic. Cochrane Database Syst Rev. 2012.
  3. Bhojani N, Wollin D, El Tayeb MM, et al. Prospective Multicenter Evaluation of Pain Before and After Removal of Nonobstructing Renal Calculi: A CoRE Initiative. J Urol. 2023. PMID: 38100842.

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