Postectomia em adultos: quando a cirurgia é mesmo necessária?
Se você chegou até aqui, provavelmente já conhece bem o ciclo: inflamação, pomada, melhora, e logo depois, tudo de volta ao começo. Essa roda precisa parar.
Se você tem episódios recorrentes de balanopostite – aquela inflamação com vermelhidão, coceira e dor na glande e no prepúcio – é natural que já esteja se perguntando se vale a pena operar de uma vez por todas. A resposta depende do seu caso, mas posso dizer que, quando as infecções viram rotina, a cirurgia não só é válida como costuma ser a solução mais definitiva que existe.
A postectomia (ou circuncisão) em adultos é um procedimento ambulatorial consolidado, com recuperação que na maioria dos casos permite retorno ao trabalho em poucos dias. O que faz a diferença no resultado – funcional e estético – é a técnica cirúrgica. Opero com lupa de magnificação e sutura delicada, o que reduz o risco de cicatriz inestética e preserva a sensibilidade. Não é exagero: quando se trata de um órgão que influencia diretamente a intimidade, cada detalhe de acabamento importa.
Nem todo caso precisa de cirurgia. Há situações leves, sem fimose associada e sem recorrência real, em que uma higiene adequada e um ciclo de antifúngico ou antibiótico resolvem. Mas quando há:
- balanopostite com dois ou mais episódios anuais;
- perda de elasticidade do prepúcio por cicatrizes inflamatórias;
- impacto na vida sexual – dor, retração difícil, desconforto;
- suspeita de líquen escleroso (uma condição inflamatória crônica que não responde bem só ao tratamento clínico);
…a cirurgia passa de opção para indicação real.
O receio sobre a vida sexual após a postectomia é muito mais comum do que as pessoas verbalizam no consultório – mas é justamente sobre isso que precisamos conversar. A literatura mostra que a maioria dos homens não relata piora da sensibilidade nem da função sexual após a cirurgia; e quando havia dor ou desconforto nas relações por conta da inflamação crônica, muitos descrevem melhora franca (1, 2). Quando a técnica é cuidadosa e o resultado estético é adequado, o que se perde em inflamações recorrentes é muito mais do que qualquer receio pré-operatório.
Na minha experiência com pacientes adultos que passaram pela postectomia, o que ouço com mais frequência no retorno é algo como: “Eu devia ter feito isso antes.” O incômodo crônico normaliza com o tempo – até a pessoa perceber o quanto aquilo pesava no dia a dia.
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Referências
- Malone P, Steinbrecher H. Medical aspects of male circumcision. BMJ. 2007 Dec 8;335(7631):1206-90. doi: 10.1136/bmj.39385.382708.AD. PMID: 18063645; PMCID: PMC2128632.
- Frisch M, Lindholm M, Grønbæk M. Male circumcision and sexual function in men and women: a survey-based, cross-sectional study in Denmark. Int J Epidemiol. 2011 Oct;40(5):1367-81. doi: 10.1093/ije/dyr104. Epub 2011 Jun 14. PMID: 21672947.
