PRÓSTATA AUMENTADA

Hiperplasia Benigna da Próstata (HPB)

Acorda várias vezes à noite para urinar? Isso tem tratamento – e você não precisa conviver com isso.

Hiperplasia Benigna da Próstata: o que é e por que afeta tantos homens

A hiperplasia benigna da próstata ou a “próstata aumentada” é uma das doenças mais frequentes do homem em idade adulta avançada ou idoso. Em vida, estima-se que cerca de um quarto de todos os homens serão portadores dessa doença (1) e alguns estudos já encontraram 80% de homens acima de 80 anos com alterações que sugerem a presença da doença (2). Essa doença tem uma característica genética relevante: se seu pai tem ou teve HPB, seu risco é 2x maior; se um irmão teve, o risco dos demais irmãos é 3,5x maior do que a população em geral (3). É importante comentar que, embora a doença curse com crescimento da próstata, não é uma condição sine qua non para ser portador de HPB ter de fato uma próstata de volume aumentado. Para fins de compreensão deste texto, existem na literatura médica diversos cortes de tamanho para classificar uma próstata de um paciente portador de HPB entre pequena ou grande, eu particularmente prefiro o corte de 30mL ou 30g. Abaixo de 30mL classifica-se em próstata de tamanho pequeno e acima de 30mL classifica-se em próstata grande, mas existem outras classificações (4).

O primeiro discernimento que é preciso realizar aqui é que essa é uma doença benigna que é diferente do câncer de próstata embora, dado a alta frequência que ambas doenças estão presentes nos homens – o câncer de próstata é o câncer mais frequente em homens (5), não é incomum ambas doenças coexistirem em uma mesma pessoa. Aqui está um dos motivos pelos quais a avaliação da próstata deve ser feita de maneira minuciosa. Se você está com suspeita ou foi diagnosticado com câncer de próstata, fiz um texto neste link aqui.

Dr. Gustavo Guerrero realizando uma enucleação endoscópica da próstata com laser Holmium (HoLEP).

Sintomas da HPB: Você Se Identifica?

A hiperplasia prostática benigna é uma doença que se manifesta com diversos sintomas tais como:

  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga após urinar
  • Jato fraco ou insuficiente
  • Esforço para urinar
  • Jato urinário subitamente interrompido durante o ato de urinar
  • Acordar à noite para urinar
  • Urgência para urinar (noctúria)
  • Frequência urinária aumentada
  • Perda involuntária de urina ou incontinência urinária

Tenho que ressaltar aqui que o que está alterado é a maneira como você urina e não o volume total produzido de urina durante o cotidiano. Os pacientes com essa doença urinam quantidade total normal ou até bastante quando ingerem líquidos.

Complicações que a HPB pode causar se não tratada

Algumas repercussões:

  • Infecções urinárias em localizações variadas (cistite, prostatite, pielonefrite)
  • Retenção urinária e necessidade de sonda para urinar
  • Cálculo ou pedra na bexiga
  • Divertículo de bexiga
  • Sangramento urinário
  • Hérnia inguinal, umbilical e outras

Por que muitos homens não percebem a gravidade dos sintomas?

Cada um desses sintomas possuem intensidade particular que repercutem de maneira variada na vida de cada homem. Por mais que você leia da maneira descritiva como expus acima e acredite que tenha apenas alguns sintomas, como essa é uma doença que tem início lento na vida de um homem – da ordem de anos e por vezes décadas – é muito comum encontrar pessoas com bom nível de escolaridade e com sintomas intensos dado o caráter progressivo e lento que esses sintomas surgem, gerando pouca auto consciência e percepção do grande impacto que a doença tem sobre sua vida cotidiana.

Avalie seus sintomas com o questionário IPSS

Existe um questionário validado internacionalmente chamado “IPSS” (6) que classifica diversos sintomas associados à HPB e conclui a severidade dos sintomas e impacto na sua vida. Criei um formulário rápido que em 3 minutos você pode preencher respondendo 8 perguntas e fazer uma triagem se a forma como você urina é normal. Não precisa de qualquer dado pessoal ou cadastro e você pode fazer anonimamente clicando aqui.

Por que a próstata cresce? A origem da doença

A HPB tem sua origem bem estudada na urologia e ocorre pela ação de derivados da testosterona ao longo dos anos na próstata. Alguns hormônios derivados da testosterona estimulam o crescimento da próstata e como a próstata envolve circunferencialmente a uretra logo abaixo da bexiga, a compressão que ela exerce sobre a uretra aumenta a pressão necessária para urinar. Isso leva a uma série de modificações compensatórias da bexiga como o aumento da espessura de músculo da bexiga na finalidade de manter a função de esvaziamento compensada – mesmo que às custas de diversos sintomas. Em casos não tratados de HPB, em um seguimento de 4 anos, até 5% dos pacientes apresentam uma obstrução completa com incapacidade de urinar e necessitam uma sonda para esvaziar adequadamente a bexiga (2). Tratar adequadamente é importante não só para melhorar a qualidade de vida mas também para reduzir o risco de complicações e eventos mais graves.

Tamanho da próstata não é tudo: fatores que influenciam os sintomas

Vale citar que embora exista esse mecanismo conhecido de crescimento da próstata que comentei acima, para essa doença tamanho não é necessariamente documento (7). Ter próstata aumentada é um dado relevante de diagnóstico, mas é frequente encontrarmos homens com próstata pequena e magnitude importante de sintomas de HPB (2, 7). Existem inúmeras explicações para isso: a conformação estrutural do crescimento da próstata é variável e pode haver assimetrias ou regiões que comumente geram mais sintomas como o crescimento do lobo mediano (8, 9); a capacidade de adaptação da bexiga também é relativa de acordo com cada paciente; a cápsula (uma espécie de cinta que envolve a próstata) pode ser mais rígida fazendo com que pequenos volumes de crescimento ocasionem grandes compressões sobre a uretra que passa no centro da próstata (9). Diversos outros fatores concomitantes podem contribuir para a intensidade de sintomas: diabetes (10), obesidade, inflamação (11).

Exames fundamentais para diagnóstico e acompanhamento

Alguns exames são muito importantes no entendimento dessa doença e no acompanhamento da próstata e permitem investigarmos diversas repercussões por isso solicito sempre para pacientes do meu consultório:

  • Ultrassom de rins e vias urinárias com resíduo pós miccional – investiga volume de urina que não é esvaziado após urinar, espessura do tamanho da bexiga e saúde dos rins
  • Ultrassom de próstata – investiga volume prostático, tamanho do lobo mediano
  • Urofluxometria livre – investiga a forma como você urina
  • PSA total e livre – investiga complicações prostáticas. Seu acompanhamento e curva de crescimento é importante para suspeitar de outras doenças como câncer de próstata

Ainda, existem outros exames de sangue e urina que corriqueiramente fazemos uso para acompanhar a saúde geral do homem. Em casos específicos a Ressonância Magnética, Tomografia computadorizada e Urodinâmica têm seu papel bem estabelecido na investigação e acompanhamento. Ter um urologista que seja atualizado e tenha critério na hora de solicitar e interpretar ele mesmo cada exame é fundamental.

Tratamento da HPB: conheça todas as opções

Existem diversas alternativas de tratamento, cada qual com seu ponto positivo e negativo e um determinado perfil de homem adequado para ela. Realizo somente tratamentos que tem substrato científico robusto e que acredito no resultado entregue, dentre eles cito:

  • Medicações
  • Procedimentos minimamente invasivos
  • Enucleação da próstata com laser Homium – HoLEP
  • Enucleação da próstata por cirurgia robótica ou videolaparoscópica – Prostatectomia transvesical
  • Ressecção transuretral de próstata ou popularmente conhecido como “raspagem” – RTU de próstata (mono ou bipolar)

Medicamentos para HPB: como funcionam e seus efeitos

As medicações na HPB têm um papel importante na melhora sintomática e redução de risco de piora da doença (12). A escolha do tratamento medicamentoso é individual e se baseia no contexto pessoal de cada homem já que dados sobre vida sexual, idade, tamanho da próstata e tipo de sintomas são imprescindíveis na seleção de qual medicamento utilizar, quando a terapia medicamentosa for a indicada. Alguns medicamentos diminuem o tamanho da próstata, embora não necessariamente diminuir seu tamanho esteja diretamente relacionado com a intensidade dos sintomas e complicações associadas à HPB. Utilizar tratamentos padronizados e sem individualização é um problema comum em consultas rápidas já que alguns medicamentos são contraindicados em alguns problemas de saúde que são frequentes como homens acima de 65 anos ou portadores de glaucoma e catarata.

Existem alguns efeitos colaterais indesejáveis a depender da classe de medicamentos utilizada: perda de libido, disfunção erétil, ejaculação retrógrada (não ocorre jato ejaculatório durante o orgasmo), boca seca, aumento do volume residual de urina na bexiga após urinar, pressão baixa, quedas, aumento do risco de retenção urinária, aumento do risco de infecção urinária, dificuldade para evacuar (13, 14, 15, 2). Ter consciência sobre potenciais percalços no tratamento é importantíssimo.

Dentre os medicamentos possíveis podemos citar:

  • Relaxadores de musculatura da uretra (doxazosina, tansulosina – nomes comerciais: Omnic Ocas, Tamsulon, Duomo, Doxaprost)
  • Bloqueadores de conversão hormonal que interferem tamanho da próstata (finasterida e dutasterida – nomes comerciais: Duomo HP, Proscar)
  • Medicamentos contra a contração involuntária da bexiga (mirabegrona, oxibutinina – nomes comerciais: Myrbetric, Remetic)
  • Medicamentos contra disfunção erétil que também melhoram o relaxamento da musculatura da uretra (tadalafila – nomes comerciais: Cialis, Tada)

Mesmo que exista alguma melhora sintomática, calcula-se que o uso de medicações individualmente podem abaixar o score de IPSS em 2 a 4 pontos – aquele questionário que você fez no início desse texto neste link aqui. A medicação tem suas indicações e limitações e entender de maneira global sua saúde – de sintomas até alterações verificadas em exames – é muito importante na decisão de quando dar o próximo passo (12).

Quando o procedimento cirúrgico é a melhor escolha?

As principais indicações cirúrgicas são (12):

  • Progressão de sintomas a despeito do uso de medicações
  • Doença grave ao diagnóstico
  • Efeitos colaterais, inadaptação ou contraindicação às medicações
  • Desejo do paciente em não utilizar medicamentos
  • Infecções urinárias
  • Evento de retenção urinária aguda
  • Alterações de função renal
  • Complicações – sangramento urinário, divertículo de bexiga, cálculo ou pedra na bexiga, hérnias de parede abdominal com indicação cirúrgica

Outras características também são relevantes na decisão:

  • Sintomas relevantes ao diagnóstico
  • Alterações no exame de urofluxometria – baixo fluxo máximo, curva de micção ruim
  • Alterações no exame de ultrassom – bexiga espessada, resíduo pós miccional elevado, lobo mediano aumentado
  • Elevação de PSA

Embora seja pouco discutido na literatura médica, na minha experiência, como atuo em consultórios e diversos hospitais, atendo desde avaliações encaminhadas de outros médicos de pacientes internados até homens que gostariam de realizar checkup, verifico que existe um fator extremamente relevante que é “timing” ou melhor tempo para execução de determinada estratégia.

Vivenciamos uma evolução da medicina que repercute no aumento da expectativa de vida e cada vez mais enquanto homens devemos nos preparar para viver acima dos 80 anos com qualidade. Mesmo sendo uma realidade que estamos vivendo mais, muitas vezes ganhamos essa expectativa de vida convivendo com o histórico de doenças que aumentam o risco de realizarmos procedimentos, mesmo que minimamente invasivos. Sendo assim, é imprescindível não protelar e identificar precocemente riscos e atuar para minimizá-los.

Realizar um procedimento com uma saúde global satisfatória e trato urinário com menos sequelas é diferente em termos de resultados e riscos do que realizar um procedimento em idade avançada, com alterações compensatórias de diversos órgãos e portando diversas doenças. Algumas vezes, no entanto, esse último cenário tardio é a única alternativa que temos como encontro em alguns idosos muito sintomáticos ou que infelizmente desenvolvem retenção urinária e outras alterações causadas pela HPB.

O procedimento pode ser seguro mesmo em condições crônicas desfavoráveis e ter uma equipe de especialistas (clínico, geriatra, cardiologista, hematologista) em conjunto é essencial para assegurar a melhor condição pré operatória possível.

Qual técnica cirúrgica é a mais indicada para você?

Existem inúmeras técnicas cirúrgicas para o tratamento dessa doença e a escolha do método depende de fatores diversos, individuais de cada paciente. Tamanho da próstata, presença ou não de cirurgias prévias, resultado de exames de imagem e complicações relacionadas à HPB são dados relevantes na escolha. Na urologia existem mais procedimentos possíveis para tratar HPB do que explico aqui porém só realizo aqueles nos quais encontro substrato robusto de resultado e confiança de longo prazo.

Sendo a HPB é uma doença que tem como fundamento um crescimento anômalo da próstata, os procedimentos minimamente invasivos que realizam o tratamento adequado envolvem a retirada de parte da próstata – e não a próstata completa como é no caso da cirurgia de câncer de próstata. A próstata tem como função a produção de esperma, e essas técnicas, uma vez que retiram parte da próstata, interferem no volume ejetado de esperma durante a ejaculação. No entanto, como a ressecção da próstata é parcial e reservada apenas ao setor envolvido na obstrução urinária, os nervos que são responsáveis pela ereção não são manipulados e não há propensão à disfunção erétil ou à desenvolver alterações sensitivas no orgasmo (16, 17, 18). Um dos intuitos de realizar esses procedimentos é de também não utilizar medicamentos para tratamento da HPB e com isso, evitar alguns efeitos colaterais indesejáveis. Além disso, sob ponto de vista de sintomas, essas modalidades de tratamento são as que trazem melhor performance no controle de sintomas: em cirurgias endoscópicas, por exemplo, verificamos queda de 10 a 15 pontos no IPSS em longo prazo (2). É infrequente em pós operatórios de 1 ano encontrar pacientes com IPSS acima de 7 pontos. (19).

Podemos dividir a via de acesso desses procedimentos sumariamente em duas: cirurgia endoscópica e cirurgia robótica.

Cirurgias Endoscópicas: sem cortes na pele

Cirurgias endoscópicas: HoLEP e RTU de próstata. Ambas modalidades de cirurgias são executadas sem cortes na pele já que o acesso até a próstata se dá através do canal da uretra.

RTU de Próstata: a técnica clássica e comprovada

A RTU de próstata é um procedimento endoscópico clássico. Durante a cirurgia executa-se com energia elétrica a retirada de pequenos fragmentos da próstata até chegar à cápsula prostática e retirar todo excedente de volume prostático que causava a obstrução. A RTU, diferente de outros métodos de cirurgia que apenas cauterizam ou implantam dispositivos, tem resultado duradouro e com baixa taxa de retratamento, cerca de 1 em 20 pacientes (2). Possui limitação de não tratar adequadamente próstatas acima de 80mL, que é o principal fator de risco para retratamento no longo prazo (20).

HoLEP: o avanço do laser holmium no tratamento da próstata

A enucleação da próstata a laser Holmium sem dúvida foi um avanço grande na tecnologia de cirurgia endoscópica para próstata. Nessa técnica algumas coisas mudam:

  • Todo núcleo da próstata que obstrui é retirado e não pequenos fragmentos como na RTU
  • A energia utilizada é o laser Holmium e não eletricidade o que permite melhor controle de sangramentos de maneira geral

Comparado à RTU, o HoLEP possibilitou:

  • Menor tempo de sonda após a cirurgia (na média 24h, alguns casos sendo possível antes disso)
  • Melhor recuperação pós-operatória
  • Menor sangramento durante a cirurgia – sendo de recomendação forte para pacientes em uso de AAS e/ou anticoagulação (Xarelto, Rivaroxabana, Warfarina) já que é possível realizar o procedimento sem suspender essas medicações pelo excelente controle de sangramento que a técnica permite.

Mesmo sendo infrequente na RTU, a chance durante a vida de um paciente submetido ao tratamento cirúrgico necessitar de novo procedimento para tratamento da HPB é 4x menor no HOLEP. Isso se deve a capacidade que essa técnica tem de retirar toda região de crescimento em excesso da próstata – e não fragmentos da próstata como é na RTU, sendo especialmente indicada nas próstatas maiores que denotam uma HPB em geral crescimento mais agressivo e de maior complexidade de ressecção endoscópica (21, 22, 23, 24, 25). Como HoLEP é uma técnica sólida, a diretriz americana (AUA) o recomenda como terapia padrão para o tratamento avançado da hiperplasia benigna da próstata independente do tamanho, inclusive em próstatas menores (26).

Cirurgia Robótica para HPB: precisão e versatilidade

A cirurgia robótica é realizada através de um acesso do abdome utilizando pequenos de cerca de 1cm. Se você tem dúvidas sobre como funciona o robô, recomendo que você leia esse texto que fiz sobre ele neste link aqui.

A retirada da próstata por cirurgia robótica é um método factível e indicado principalmente para próstatas acima de 80g (26). É especialmente útil em contextos de homens que também possuem outras alterações que demandam correção cirúrgica através do abdome já que, a depender do contexto, é possível realizar múltiplos procedimentos em um mesmo ato cirúrgico (27). Um exemplo cotidiano de minha prática é o tratamento concomitante de HPB e de hérnia inguinal – os pacientes com HPB têm risco até 3x maior de desenvolver hérnias de parede abdominal (28), mas existem outros exemplos de doenças que podem ser tratadas juntas.

O uso da cirurgia robótica permite ampla visão, delicadeza nas etapas cirúrgicas e possibilita mais versatilidade ao cirurgião em cirurgias que englobam múltiplos procedimentos. Como desvantagem, essa técnica demanda tempo de sonda em geral mais prolongados em relação ao HoLEP (29). Embora existam dados na literatura que relatem 72h ou mais de necessidade de sonda no pós operatório (30), como executo uma técnica desenvolvida por urologistas do hospital das clínicas (31) é comum a retirada acontecer em 48h e por vezes até antes a depender do contexto geral do paciente.

Como escolher o tratamento

É importante frisar que embora esse texto tenha um intuito educativo, a escolha do tratamento depende de uma sinfonia entre fatores individuais, desejo do paciente e minha expertise. Acredito na educação das pessoas sobre suas próprias doenças, porém a medicina tem nuances que dificilmente conseguem serem passadas em um texto corrido de leitura breve ou uma pesquisa na internet.

Se você tem interesse em discutir algum aspecto desse texto ou conversar sobre pontos positivos e negativos de cada tratamento, estou à disposição para te ajudar e estar junto para resolvermos esse problema que é uma realidade em tantos homens.

Perguntas Frequentes sobre HPB

Respostas para as perguntas mais comuns sobre próstata aumentada.

O que é hiperplasia benigna da próstata (HPB)?

A hiperplasia benigna da próstata, conhecida também como aumento da próstata, é uma doença muito frequente em homens adultos e idosos. Ela ocorre quando o tecido da próstata cresce de forma excessiva ao longo dos anos, comprimindo a uretra e dificultando o fluxo de urina. É importante deixar claro que se trata de uma doença benigna, completamente diferente do câncer de próstata, embora as duas condições possam coexistir no mesmo paciente. Estima-se que cerca de um quarto de todos os homens será portador da doença ao longo da vida, e em homens acima de 80 anos, alterações sugestivas de HPB estão presentes em até 80% dos casos.

Próstata aumentada é a mesma coisa que câncer de próstata?

Não. São doenças completamente distintas. A hiperplasia benigna da próstata é um crescimento não canceroso da glândula, enquanto o câncer de próstata envolve a multiplicação descontrolada de células malignas. No entanto, como as duas condições são muito frequentes em homens na mesma faixa etária, é possível que ambas estejam presentes ao mesmo tempo. Por isso, realizo a avaliação da próstata de maneira minuciosa.

Quais são os sintomas do aumento da próstata?

Os sintomas mais comuns incluem jato urinário fraco ou lento, dificuldade para iniciar a urina, sensação de que a bexiga não esvaziou completamente após urinar, interrupção do jato durante a micção, necessidade de fazer força para urinar, acordar várias vezes durante a noite para urinar, aumento da frequência urinária durante o dia, urgência súbita para urinar e, em casos mais avançados, perda involuntária de urina. É importante destacar que o que muda é a forma como o homem urina, não o volume total produzido. Pacientes com HPB produzem urina em quantidade normal, mas têm dificuldade no esvaziamento.

Por que os sintomas da próstata aumentada demoram a ser percebidos?

A HPB é uma doença que se desenvolve de maneira lenta, ao longo de anos ou até décadas. Essa progressão gradual faz com que muitos homens se adaptem inconscientemente às mudanças na forma de urinar, sem perceber o quanto a doença já avançou. Não é incomum encontrar homens com alto nível de escolaridade e sintomas intensos que simplesmente não reconheciam o problema como algo que exigia atenção médica. Por isso, o acompanhamento regular com urologista é fundamental, mesmo antes de os sintomas se tornarem incômodos.Não necessariamente. Um PSA dentro do limite laboratorial (geralmente abaixo de 4) não garante a ausência de câncer de próstata. Estudos mostram que cerca de 15% dos diagnósticos de câncer de próstata ocorrem em homens com PSA considerado normal. Por isso, o resultado precisa ser interpretado pelo urologista levando em conta outros fatores: tamanho da próstata, sintomas urinários, vida sexual e histórico de infecções. O número isolado, sem contexto, pode enganar.

Quais as complicações do aumento da próstata não tratado?

Quando a HPB não é tratada adequadamente, pode gerar complicações sérias. Entre elas estão infecções urinárias de repetição, incluindo cistite, prostatite e infecção renal, retenção urinária aguda com necessidade de sonda para esvaziar a bexiga, formação de cálculos na bexiga, divertículos da bexiga, sangramento urinário e até hérnias inguinais ou umbilicais. Em um acompanhamento de quatro anos, estudos mostram que até 5% dos pacientes sem tratamento evoluem para incapacidade total de urinar. Tratar a doença é importante não apenas para melhorar a qualidade de vida, mas para evitar que esses eventos mais graves ocorram.

A cirurgia de próstata causa impotência ou disfunção erétil?

Não. Os procedimentos cirúrgicos para HPB, como o HoLEP e a ressecção transuretral, não manipulam os nervos responsáveis pela ereção, pois a ressecção é parcial e restrita à região que causa obstrução urinária. Portanto, esses procedimentos não têm propensão a causar disfunção erétil nem alterações na sensibilidade durante o orgasmo. O que pode ocorrer é a ejaculação retrógrada, ou seja, a ausência de jato ejaculatório no momento do orgasmo, pois parte da próstata responsável por direcionar o esperma é removida. Isso não afeta o prazer sexual, mas é relevante para homens que ainda desejam ter filhos biologicamente.

A próstata aumentada tem relação com a testosterona?

Sim. A HPB ocorre pela ação de derivados da testosterona sobre o tecido prostático ao longo dos anos. A testosterona é convertida em uma substância chamada di-hidrotestosterona, que estimula o crescimento da próstata. Esse mecanismo é bem estudado e explica por que alguns medicamentos para HPB atuam bloqueando essa conversão hormonal. No entanto, isso não significa que homens com testosterona mais elevada necessariamente terão mais problemas com a próstata, pois outros fatores, como genética, obesidade, diabetes e inflamação, também influenciam o desenvolvimento da doença.

O aumento da próstata pode ser prevenido?

Não existe forma de prevenir completamente o desenvolvimento da HPB, pois ela está ligada ao envelhecimento e a fatores hormonais e genéticos. No entanto, alguns fatores de risco modificáveis podem ser controlados para reduzir a progressão da doença ou a intensidade dos sintomas. Manter peso adequado, controlar o diabetes, praticar atividade física regularmente e evitar o sedentarismo são atitudes que contribuem positivamente. Além disso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular permitem agir antes que a doença cause complicações significativas.

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